10 Filmes sobre Arquitetura e Design: Onde a Casa é a Protagonista (Guia 2026)

Nos Filmes sobre Arquitetura e Design, há momentos no cinema em que a câmera não se detém apenas no olhar do ator, mas percorre lentamente as paredes, desliza sobre os móveis e enquadra uma janela como quem apresenta um novo integrante do elenco. É quando a arquitetura deixa de ser cenário e passa a ser protagonista. Nessas obras, o design de interiores não é um mero pano de fundo esteticamente agradável — ele dita o humor, revela segredos, impõe obstáculos e, muitas vezes, é a própria razão de ser da história. Como crítico, sempre digo: um grande filme não se passa em um lugar; ele se passa com aquele lugar. E é sobre essa relação simbiótica entre concreto, vidro, madeira e narrativa que vamos conversar hoje.

1. Parasita (2019)

Filme Parasita

Diretor: Bong Joon-ho

A família Kim infiltra-se gradualmente na mansão minimalista dos Park. O que começa como uma escalada social transforma-se em pesadelo quando os segredos arquitetônicos da casa vêm à tona.

Destaque: O porão oculto escancara as entranhas da desigualdade. A casa dos Park, com seu living de duplo pé-direito e paredes de vidro que emolduram o jardim como uma pintura, é ao mesmo tempo prisão e palco.

Nota IMDb: 8.5/10

2. O Iluminado (1980)

Filme O Iluminado

Diretor: Stanley Kubrick

Jack Torrance aceita o cargo de zelador no isolado Hotel Overlook. A temporada transforma-se em um mergulho na loucura potencializada pelos corredores labirínticos do hotel.

Destaque: Os padrões geométricos do carpete são icônicos. Kubrick transforma a arquitetura em uma armadilha psicológica: os espaços imensos amplificam o isolamento, enquanto o labirinto de arbustos espelha o labirinto mental de Jack.

Nota IMDb: 8.4/10

3. O Grande Hotel Budapeste (2014)

Filme o grande hotel budapeste

Diretor: Wes Anderson

Acompanhamos as aventuras de Gustave H., concierge de um hotel europeu entre guerras, e seu jovem protegido Zero, em uma trama envolvendo um valioso quadro e uma herança disputada.

Destaque Específico: A simetria milimétrica é a linguagem de Anderson. A fachada cor-de-rosa e os interiores em tons pastel transformam cada quadro em um projeto arquitetônico tridimensional. O hotel não abriga a história: ele é a história.

Nota IMDb: 8.1/10

4. A Origem (2010)

Filme A Origem

Diretor: Christopher Nolan

Dom Cobb é um ladrão especializado em extrair segredos do subconsciente. Sua missão é plantar uma ideia, e para isso, ele precisa dominar a arquitetura dos sonhos.

Destaque: A cena em que Paris dobra-se sobre si mesma é uma declaração de amor à arquitetura como linguagem do impossível. O labirinto inspirado em Penrose desafia nossa percepção de espaço.

Nota IMDb: 8.8/10

5. A Casa do Lago (2006)

Filme A Casa do Lago

Diretor: Alejandro Agresti

Um arquiteto e uma médica vivem na mesma casa, mas com dois anos de diferença. Comunicam-se por cartas deixadas na caixa de correio, enquanto a arquitetura envidraçada torna-se testemunha do amor.

Destaque: As paredes de vidro que refletem a paisagem e a passarela sobre o lago criam uma atmosfera de suspensão temporal. A arquitetura aqui é a ponte entre dois tempos e duas solidões.

Nota IMDb: 6.8/10

6. Her (2013)

Filme Her

Diretor: Spike Jonze

Theodore desenvolve um relacionamento amoroso com um sistema operacional de inteligência artificial. Sua casa reflete seu estado emocional e sua busca por conexão.

Destaque: O apartamento é um estudo sobre como o design de interiores externaliza a psique. Cores quentes em tons de laranja e vermelho abraçam o personagem, criando um retrato sutil da solidão urbana.

Nota IMDb: 8.0/10

7. O Brutalista (2024)

Filme o brutalista

Diretor: Brady Corbet

Em O Brutalista Laszlo Toth, um arquiteto judeu húngaro da Bauhaus, emigra para os EUA após a Segunda Guerra, confrontando a dureza do concreto e a brutalidade do sonho americano.

Destaque: A cena da biblioteca é arrebatadora. O filme usa a arquitetura brutalista para discutir a filosofia do movimento, a tensão entre forma e função e o preço de criar beleza em um mundo utilitário.

Nota IMDb: 7.7/10

8. Disque M para Matar (1954)

Filme Disque M para Matar

Diretor: Alfred Hitchcock

Um tenista aposentado trama o assassinato perfeito de sua esposa dentro do apartamento do casal, mas o plano minuciosamente elaborado sai terrivelmente errado.

Destaque: O apartamento é o principal elemento da coreografia do suspense. Hitchcock posiciona cada móvel para criar obstáculos, provando que o espaço físico é fundamental para a narrativa.

Nota IMDb: 8.3/10

9. Meia-Noite em Paris (2011)

Filme Meia-Noite em Paris

Diretor: Woody Allen

Um roteirista em férias descobre que, à meia-noite, pode visitar a Paris dos anos 1920, apaixonando-se pela estética e pelos ícones daquela era.

Destaque: Os apartamentos parisienses com suas boiseries e cafés são máquinas do tempo emocionais. Allen constrói uma carta de amor à arquitetura clássica que resiste ao modernismo impessoal.

Nota IMDb: 7.7/10

10. Duna: Parte 2 (2024)

Filme Duna: Parte 2

Diretor: Denis Villeneuve

Paul Atreides une-se aos Fremen para vingar sua família no planeta desértico Arrakis, enquanto lida com seu destino messiânico.

Destaque: O brutalismo monumental no deserto comunica o poder e a frieza do Império. A arquitetura conta a história do colonizador versus o nativo, do peso da pedra contra a fluidez da areia.

Nota IMDb: 8.6/10

Quando o Espaço se Torna Memória

Há algo profundamente comovente em perceber que nos apegamos a casas que nunca habitamos. A arquitetura no cinema não é apenas abrigo — é linguagem. Os grandes diretores sabem disso: eles não constroem cenários, constroem personagens de concreto, vidro e madeira. Personagens que não falam, mas comunicam; que não se movem, mas nos deslocam.

Ao final desta lista, qual dessas 10 “residências” cinematográficas você sente que já conhece, como se tivesse vivido ali em alguma sessão escura de cinema atrás? Deixe nos comentários — estou genuinamente curioso para saber quais endereços ficcionais habitam seu coração.

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