O Roubo (2026): A nova série de assalto com Sophie Turner vale o play?

Em um cenário de vidro e aço, onde bilhões de libras trocam de mãos com um clique, a rotina aparentemente inócua de uma empresa de fundos de pensão é rasgada por uma invasão brutal. O Roubo, minissérie original do Prime Video lançada em 2026, usa a premissa clássica de um assalto a reféns não como fim, mas como um ponto de partida afiado para dissecar a corrupção sistêmica, a moralidade flexível e a ilusão de segurança no coração do capitalismo moderno. Mais do que um thriller de ação, a série de seis episódios é um estudo de personagens enredados em uma teia onde ninguém é totalmente inocente ou completamente culpado, e onde o verdadeiro crime se esconde atrás de fachadas legítimas.

A Narrativa: Um Quebra-Cabeça com Peças que Nem Sempre Se Encantam

Cena da Série O Roubo

A virtude mais notável de O Roubo é sua ambição temática. Os roteiros, rapidamente transcendem a dinâmica “ladrões versus polícia” para mergulhar em uma conspiração complexa que envolve o alto escalão financeiro, político e policial. A série é eficaz em construir uma tensão claustrofóbica, especialmente nos primeiros episódios, onde a ameaça física dentro do escritório da Lochmill Capital é palpável. A revelação progressiva de que Zara e Luke (Archie Madekwe) são cúmplices iniciais do crime adiciona uma camada de tensão moral interessante, transformando vítimas em possíveis vilões e vice-versa.

No entanto, a narrativa paga um preço por sua complexidade. A trama, em sua ânsia de surpreender, às vezes se enrola em voltas excessivas e coincidências convenientes, especialmente na reta final. Subplots, como o vício em jogos do investigador Rhys Covac (Jacob Fortune-Lloyd), parecem mais um artifício para complicar sua trajetória do que uma caracterização orgânica. O ritmo, que começa eletrizante, sofre altos e baixos no meio da série, quando a investigação se fragmenta em múltiplas frentes. Ainda assim, o desfecho é satisfatório, fechando o arco principal de forma inteligente ao sugerir que a justiça tradicional é incapaz de lidar com a criminalidade de colarinho branco, deixando os personagens em um terreno moralmente cinzento.

Elenco e Atuações: Humanidade em Meio ao Caos

Série O Roubo

O elenco de O Roubo é, sem dúvida, o pilar mais sólido da produção. Sophie Turner, como Zara Dunne, oferece sua performance mais madura desde Game of Thrones. Ela afasta-se de qualquer heroicidade fácil, mostrando uma mulher assustada, calculista e gradualmente corrompida pela perspectiva de poder e fuga. Seu olhar, que transita entre o pânico e a frieza, carrega cenas inteiras, tornando Zara uma protagonista profundamente ambivalente e fascinante.

Archie Madekwe (Luke) é o contraponto emocional perfeito. Enquanto Zara se endurece, Luke se despedaça sob o peso da paranoia e da culpa. Madekwe transmite uma vulnerabilidade angustiante que torna seu personagem tragicamente humano. Já Jacob Fortune-Lloyd impõe presença como o investigador Rhys Covac. Ele consegue equilibrar a determinação profissional com os demônios pessoais, embora o roteiro nem sempre dê a profundidade necessária a esse conflito.

No elenco de apoio, destaque para Jonathan Slinger, cuja interpretação do líder dos assaltantes, “London”, é aterradoramente sóbria, e para Andrew Koji, que traz uma energia investigativa perspicaz como o perito financeiro Darren Yoshida. A miríade de executivos e policiais, incluindo Patrick O’Kane e Sarah Belcher, dá corpo ao mundo corrupto que a série denuncia.

Direção e Fotografia: A Estética do Desespero Contido

Cena da Série O Roubo

A direção, dividida entre Sam Miller e Hettie Macdonald, é competente em criar atmosfera. As cenas dentro do escritório exploram ângulos apertados e a frieza da arquitetura moderna para amplificar a sensação de aprisionamento. A fotografia, frequentemente em tons de azul e cinza, reflete a frieza do ambiente financeiro. A escolha de usar Londres não como cartão postal, mas como uma paisagem de vidro e concreto impessoal, é um acerto temático.

O ponto técnico mais controverso de O Roubo é a trilha sonora. Enquanto alguns a elogiam por manter a tensão, uma parcela significativa da crítica e do público a considerou invasiva, repetitiva e até mesmo barulhenta a ponto de distrair dos diálogos e da atuação. É uma falha de direção e edição de som que, para muitos, prejudica a imersão em momentos cruciais.

Contexto Temático: O Verdadeiro Assalto é Sistêmico

Cena da Série O Roubo

O Roubo vai além do entretenimento para se tornar um comentário social incisivo. O tema central é a corrupção do poder. A série argumenta que o maior roubo não é aquele executado por homens armados, mas o realizado diariamente por um sistema financeiro opaco, com a conivência de autoridades e reguladores. A “Lochmill Capital” é um microcosmo desse mundo, onde a ganância é normalizada.

Questões de moralidade relativa permeiam a trama. Zara, Luke e até Covac são forçados a negociar seus princípios por sobrevivência, dinheiro ou redenção. A série se recusa a apresentar heróis puros, mostrando como a linha entre certo e errado se dissolve sob pressão. Por fim, há uma crítica à ilusão de segurança. O assalto expõe a fragilidade de sistemas considerados à prova de falhas, questionando em quem realmente podemos confiar quando as instituições projetadas para nos proteger estão podres por dentro.

Um Thriller Ambicioso que Quase Atinge o Alvo

O Roubo é uma minissérie que merece atenção. Ela entrega tensão, reviravoltas e, principalmente, uma reflexão ácida sobre os mecanismos de poder que governam nosso mundo. Embora sofra com uma trama por vezes convoluta e uma trilha sonora questionável, seus acertos são maiores. A direção é clara, a fotografia é expressiva e, acima de tudo, o elenco está magnífico, liderado por uma Sophie Turner renascida. É um thriller inteligente, que prefere provocar perguntas a oferecer respostas fáceis, e que deixa a sensação perturbadora de que o maior assaltante nunca está na sala com uma arma, mas sim na sala do board, com um terno e uma caneta.

Nota do IMDb: 7.1/10

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