Crítica: Magnum (Wonder Man) vale a pena? A série da Marvel que satiriza Hollywood no Disney+

Enquanto o MCU passou anos tentando convencer o público de que deuses nórdicos e supersoldados eram figuras dignas de admiração incondicional, Magnum finalmente faz a pergunta óbvia: o que acontece quando o sujeito que ganha superpoderes só quer, na verdade, um papel de verdade? A série do Disney+ acerta menos pelos efeitos visuais e mais pela coragem de transformar um herói de terceira linha em um estudo de personagem sobre ansiedade, imigração e a crueldade silenciosa do sistema.

Virtudes, Defeitos e a Sutil Arte de Não Explodir Nada

Cena da série Magnum

O maior acerto de Magnum é também sua maior provocação ao público habituado às fórmulas da Marvel: a série quase nunca parece uma produção de super-herói. Criada por Destin Daniel Cretton e Andrew Guest, a minissérie de oito episódios opera como uma comédia dramática independente que, por acaso, se passa em um universo onde Vingadores existem.

A virtude central está na escala humana. Quando Simon Williams descobre seus poderes, a reação não é treinar com uma mentora rabugenta; ele simplesmente ignora o próprio dom. Em uma cena reveladora no terceiro episódio, Simon está em um teste e seu corpo emana energia iônica por puro estresse. Em vez de destruir o cenário, ele pede desculpas e sai de cena. A série entende que, para um ator frustrado, o maior monstro não é um vilão maquiavélico – é o silêncio do agente que não retorna ligações.

O defeito, porém, reside na contenção da sátira. Há momentos em que a crítica à indústria parece ensaiada demais, como se os roteiristas tivessem medo de morder a mão que os alimenta. Além disso, a inserção do Departamento de Controle de Danos (DCD) nos episódios finais cria uma ruptura tonal evidente. É uma interferência burocrática necessária para lembrar ao espectador que ele ainda está assistindo a um produto da Marvel, mas que interrompe o fluxo de uma história que brilhava pela sua independência.

Elenco e Atuações: O Espelho de Dois Atores em Extremos Opostos

Cena da série Magnum

Yahya Abdul-Mateen II (Simon Williams): Abdul-Mateen constrói um Simon frágil, ansioso e quase invisível. Ele domina a linguagem corporal de quem está sempre pedindo desculpas por existir, subvertendo sua presença física imponente para mostrar um homem que implora por um papel coadjuvante, apesar de ter poderes divinos.

Sir Ben Kingsley (Trevor Slattery): Kingsley enterra qualquer dúvida sobre seu compromisso com este personagem. Seu Trevor se tornou um homem quebrado tentando reconstruir a dignidade com “cola e papel crepom”. A cena em que ele ensina Simon a “morrer” cinematicamente é de uma delicadeza desconcertante.

Direção e Fotografia: Os Bastidores como Palco Principal

Cena da série Magnum

Destin Daniel Cretton traz uma sensibilidade tátil para a série. A fotografia evita propositalmente os tons saturados e o CGI pesado. Los Angeles é filmada como uma cidade real: sol escaldante, engarrafamentos e calçadas sujas. O sétimo episódio, ambientado na comunidade haitiana da família Williams, é um deleite visual. As cores quentes contrastam com o cinza frio dos estúdios de Hollywood, traduzindo em imagem a tese da série: fora dos sets, há vida real.

Contexto Temático: O Poder de Quem Não Tem Poder

Cena da série Magnum

Diferente da maioria das produções de herói, Magnum usa os dons de Simon como metáfora para a imigração e a solidão do artista. Simon é filho de haitianos, o estranho no ninho de uma família de médicos e advogados. Seus superpoderes representam o talento bruto e inconveniente que o mercado não sabe como precificar.

Há também uma discussão profunda sobre autenticidade versus performance. Simon Williams é um super-herói genuíno forçado a atuar como um cidadão comum, e a grande ironia é que ele só consegue usar seus poderes sem medo quando está atuando – é no palco, interpretando outro, que ele finalmente pode ser ele mesmo.

O Veredito: Uma Marvel Menor, Porém Mais Humana

Magnum não vai salvar o cinema de super-herói nem revolucionar a indústria. Há momentos em que a série escorrega na autocomplacência, mas é difícil não se render à coragem de produzir oito horas sobre um super-herói que prefere um monólogo bem escrito do que um salvamento mundial. A série acerta ao lembrar que a magia da Marvel nunca esteve nos raios laser, mas na possibilidade de seus personagens serem, acima de tudo, humanos demais para caberem em uma máscara.

Nota do IMDb: 7,9/10

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