Em Five Nights at Freddy’s 2, a diretora Emma Tammi retorna ao universo macabro de Freddy Fazbear com a difícil missão de expandir o lore da franquia e aprofundar seus personagens. O resultado, porém, é um filme que tropeça no próprio excesso de ambição. Enquanto a produção técnico-visual dá um salto qualitativo evidente, entregando animatrônicos assustadoramente detalhados e uma fotografia atmosférica, a narrativa se enrola em múltiplas subtramas e exposições cansativas. A sequência tenta servir tanto aos fãs ávidos por referências quanto ao público geral em busca de sustos, mas acaba não satisfazendo plenamente nenhum dos lados, culminando em uma experiência irregular que deixa a sensação de uma oportunidade perdida.
Entre Sustos e Sussurros: Uma Narrativa Fragmentada
A maior virtude do primeiro filme era sua premissa clara e claustrofóbica. Aqui, o roteiro de Scott Cawthon opta por uma abordagem oposta: a ampliação. A trama se desdobra em várias frentes. Enquanto Abby (Piper Rubio) lida com a saudade dos espíritos amigos e é manipulada pela Marionete, Vanessa (Elizabeth Lail) enfrenta o trauma do legado sangrento de seu pai, William Afton (Matthew Lillard). Paralelamente, uma equipe de caça-fantasmas invade a pizzaria original, desencadeando o caos.
Essa fragmentação é o calcanhar de Aquiles de Five Nights at Freddy’s 2. O filme salta entre tantos personagens e motivações – vingança, culpa, luto, a ganância por continuar um negócio macabro – que nenhuma delas recebe o desenvolvimento necessário. A motivação da Marionete, por exemplo, que gira em torno da raiva contra adultos que falharam com ela, parece mutável e pouco clara, reduzindo o antagonista a uma força vaga de maldade. A sensação é a de assistir a vários rascunhos de histórias justapostas, com transições bruscas que mais confundem do que engajam. O ritmo sofre com isso, alternando longos momentos de exposição dialógica com sequências de ação que, embora tecnicamente bem executadas, carecem de peso emocional.
Elenco e Atuações: Brilhos Dispersos na Escuridão
O elenco de Five Nights at Freddy’s 2, em grande parte de volta, enfrenta o desafio de dar vida a personagens com arcos truncados. Josh Hutcherson como Mike Schmidt parece relegado a um papel reativo, mais um espectador preocupado do que um protagonista com agência. Sua expressão constantemente exausta reflete menos o cansaço do personagem e mais a falta de material substantivo para trabalhar.
Elizabeth Lail, como Vanessa, tem a tarefa mais complexa e consegue momentos de verdadeira angústia, especialmente quando explora a culpa e o medo de ser como seu pai. No entanto, sua jornada de redenção é abrupta, resolvida mais pelo roteiro do que por uma transformação orgânica. Piper Rubio mantém a inocência convincente de Abby, mas sua conexão com os animatrônicos, central para o plot, às vezes parece um dispositivo narrativo forçado.
Dos novatos, Mckenna Grace se destaca como a caça-fantasmas Lisa, trazendo uma energia investigativa que rapidamente se transforma em puro terror quando possuída. Já Matthew Lillard, infelizmente, é subutilizado. William Afton aparece em poucos cenas, quase como uma cameo, e perde muito do impacto sinistro que tinha no original. Skeet Ulrich, como Henry Emily, acrescenta um tom de tristeza resignada que é um dos poucos elementos emocionais que funcionam.
Direção, Fotografia e Efeitos: A Estética do Horror Bem Construída
Se a narrativa falha, os aspectos técnicos de Five Nights at Freddy’s 2 são seu maior trunfo. A direção de Emma Tammi e a fotografia de Lyn Moncrief criam uma atmosfera palpável. A pizzaria abandonada é um personagem por si só, com corredores escuros iluminados por luzes estroboscópicas de emergência e ângulos de câmera que ampliam a sensação de claustrofobia e paranoia. A sequência no “FazFest”, um festival de horror dentro do universo do filme, é visualmente inventiva e captura bem a cultura fan que cerca a franquia.
Os verdadeiros astros, porém, são os animatrônicos. O trabalho do Jim Henson’s Creature Shop é excepcional. Os “Toy” animatrônicos, com seus olhos brilhantes e sorrisos estáticos, são incrivelmente inquietantes. A Marionete, em particular, é uma criação notável, com movimentos fluidos e assustadores. Os efeitos práticos dão um peso tangível ao terror que CGI puro dificilmente alcançaria. É irônico que as criaturas mais bem desenvolvidas do filme sejam justamente as de metal e pelúcia.
Temáticas: O Peso do Passado e o Preço da Ignorância
Five Nights at Freddy’s 2 tenta abordar temas mais pesados do que seu antecessor. O fio condutor é o legado tóxico da negligência e da violência. A vingança da Marionete não é contra um único assassino, mas contra uma comunidade de adultos que virou as costas para uma criança em perigo. Essa ideia poderia render uma crítica social potente, mas se dilui na trama sobrecarregada.
A culpa geracional também é central, principalmente através de Vanessa, que carrega o fardo dos crimes do pai. A questão que o filme levanta – até que ponto somos definidos pelo sangue de nossa família? – é interessante, mas novamente tratada de forma superficial. Por fim, a narrativa explora a inocência corrompida, tanto de Abby, que vê seus amigos fantasmagóricos como uma fuga, quanto das próprias crianças cujos espíritos estão presos nos trajes. É um material rico que, com um foco narrativo mais afiado, poderia ter resultado em um horror com verdadeira ressonância emocional.
Um Show de Horrores Técnico com Roteiro Desengonçado
Five Nights at Freddy’s 2 é a definição de uma sequência ambiciosa porém desequilibrada. Ele acerta nas mãos: a direção de arte é imersiva, os efeitos práticos são top de linha e há cenas de horror visualmente impactantes. No entanto, erra feio na mente: o roteiro é um emaranhado de plot points, a caracterização é rasa e o ritmo é inconsistente.
O filme parece tão preocupado em plantar Easter eggs para os fãs e em expandir a mitologia para futuras sequências que se esquece de contar uma história coesa e compelling no presente. O resultado final é uma experiência que, apesar de seus méritos técnicos inegáveis, funciona mais como um longo trailer para um universo maior do que como uma obra satisfatória por si só. Para os devotos da franquia, há fan service suficiente para justificar uma sessão. Para o espectador casual em busca de uma narrativa de horror bem amarrada, a noite nesta pizzaria pode parecer interminável.
Nota do IMDb: 5.5/10
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