A promessa era de um épico emocionante, um confronto final digno de uma década de mistério e nostalgia. Stranger Things 5, no entanto, entrega um capítulo final que tropeça em seus próprios pés. Enquanto consegue fechar arcos secundários com competência e oferece momentos técnicos impressionantes, a temporada falha justamente onde mais importava: em seu coração emocional. A performance central de Millie Bobby Brown como Eleven, antes a força motriz da série, emerge como a maior decepção de uma narrativa já carregada de problemas, transformando o clímax da saga em uma experiência visualmente grandiosa, mas emocionalmente plana.
Uma Narrativa Fragmentada e a Urgência Perdida
A estrutura de Stranger Things 5 parece refletir a confusão do Mundo Invertido. A premissa é clara: a batalha definitiva contra Vecna. No entanto, a execução é marcada por uma desconexão crônica entre o tom e a ação. A temporada sofre com uma falta de urgência palpável, especialmente nos episódios que antecedem o final. Cenas de exposição extensas e monólogos filosóficos irrompem no meio de sequências de vida ou morte, quebrando a tensão de forma abrupta e fazendo o espectador questionar o timing narrativo. Subplots são introduzidos com alarde apenas para serem resolvidos de maneira apressada, enquanto decisões de roteiro controversas – como o destino ambíguo de Eleven – geram mais frustração do que reflexão. A sensação é de que os criadores, os Irmãos Duffer, possuíam uma lista de pontos a serem fechados, mas careciam de um fio condutor orgânico para costurá-los, resultando em um final que, embora conclua a história, raramente a eleva.
O Elenco e a Atuação: Um Desequilíbrio Que Custa Caro
Aqui reside a maior fissura da temporada. Enquanto parte do elenco se mantém sólido, a performance vacilante de sua protagonista cria um abismo de credibilidade difícil de ignorar.
Millie Bobby Brown como Eleven: A Decepção Central
A jornada de Millie Bobby Brown, que cresceu diante das câmeras como a poderosa e vulnerável Eleven, atinge seu ponto mais baixo aqui. Longe da intensidade visceral da quarta temporada ou da curiosidade selvagem das primeiras, sua atuação em Stranger Things 5 é frequentemente descrita como “emocionalmente plana” e “desconectada”. A crítica mais contundente recai sobre sua expressividade facial – ou a falta dela. Em momentos-chave que demandam uma gama de emoções, do desespero à determinação suprema, Brown frequentemente recorre a uma expressão única de “consternação leve”, que muitos espectadores consideraram rígida e pouco convincente. Essa falta de variedade expressiva torna difícil acessar o tormento interno de Eleven, transformando-a de uma heroína complexa em uma ferramenta plot-driven. Parte do debate público atribui essa rigidez a possíveis procedimentos estéticos, um rumor que, válido ou não, tornou-se uma distração significativa para o público, desviando o foco do personagem para a atriz. Seja por uma escolha de atuação minimalista mal calibrada ou por outros fatores, o resultado é o mesmo: Eleven, o eixo emocional da série, não consegue carregar o peso emocional do desfecho.
Noah Schnapp como Will Byers: Uma Oportunidade Perdida
Noah Schnapp, encarregado de um arco crucial para Will Byers – incluindo a confirmação de sua sexualidade e a descoberta de novos poderes – também entrega uma performance irregular. Suas falas, principalmente em cenas de grande carga emocional, soam forçadas e pouco naturais, comprometendo momentos que deveriam ser de catarse.
Os Destaques que Resistem
Em contraste, outros membros do elenco seguram as pontas da emoção. Sadie Sink, mesmo com tempo de tela limitado, transmite a dor e a resiliência de Max com uma verdade arrebatadora. Caleb McLaughlin, em uma cena particularmente tocante, e Gaten Matarazzo, carregando o luto de Dustin, demonstram um domínio emocional que destoa da inconstância ao seu redor. David Harbour e Winona Ryder, como Hopper e Joyce, continuam sendo a âncora emocional adulta, fornecendo os momentos de calor humano mais genuínos da temporada.
Produção: O Brilho Superficial do Fim do Mundo
Tecnicamente, a temporada investe pesado na escala. Os efeitos visuais da batalha final são expansivos e detalhados, e a direção de arte mantém o visual característico dos anos 80. No entanto, a fotografia, outrora cheia de personalidade, adota um tom excessivamente sombrio e genérico em muitos momentos, perdendo parte da textura cinematográfica que definia a série. A trilha sonora, outro pilar, parece mais discreta e funcional, raramente atingindo o impacto emocional de temas anteriores. A produção entrega um espetáculo, mas muitas vezes à custa da alma.
Um Legado de Nostalgia, um Final de Controvérsia
Stranger Things 5 não desfaz o legado cultural da série. Para uma geração, ela permanecerá como um portal vibrante para os anos 80, uma celebração da amizade infantil e do poder da comunidade contra o desconhecido. No entanto, como ato final, é profundamente falho. A narrativa desorganizada e, sobretudo, a performance decepcionante de sua protagonista impedem que o desfecho atinja a grandeza emocional que uma década de história exigia. A temporada funciona como um lembrete melancólico de que nem todas as jornadas terminam no auge. Ela oferece um ponto final, mas não o clímax ressonante que os fãs mereciam, deixando para trás a nostalgia de um começo brilhante e o sabor amargo de uma despedida mal executada.
Nota do IMDb: 6.0/10
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