IT: Guia Completo e Evolução do Pennywise através das décadas

Há um medo que habita não só os esgotos de Derry, mas o imaginário coletivo do terror: o de um palhaço sorridente à beira de um bueiro. Pennywise, a Coisa, é mais que um vilão; é uma entidade cultural que, assim como no livro, desperta a cada certo tempo em uma nova forma, para assombrar uma nova geração. Sua jornada começou nas páginas de Stephen King em 1986 e, desde então, assumiu a face de Tim Curry, a presença perturbadora de Bill Skarsgård e, agora, mergulha em suas próprias origens em uma série. Este é o guia definitivo para navegar por todas as adaptações de IT – da literatura à mais recente produção da HBO.

Mas antes de mergulharmos nos filmes e séries, é essencial conhecer a raiz do horror. A inspiração veio de um momento prosaico na vida de Stephen King: ao cruzar uma velha ponte de madeira, ele se lembrou do conto “Three Billy Goats Gruff” e da figura do troll que vive sob a ponte. Essa semente, plantada em 1978, floresceu em um romance monumental publicado em 1986, que não era apenas uma história de terror, mas uma reflexão profunda sobre a infância, a memória e a superação do trauma. A Coisa é uma entidade ancestral e amorfa que se alimenta do medo, assumindo a forma das piores fobias de suas vítimas. Para atrair seu alimento preferido, as crianças, sua forma preferida é a de Pennywise, o Palhaço Dançarino. Este é o monstro que todas as adaptações tentam capturar.

A seguir, apresentamos a linha do tempo completa do pesadelo, em ordem cronológica de lançamento, para você assistir (ou reassistir) entendendo como a lenda foi sendo recontada.


1. IT (Minissérie para TV – 1990)

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Diretor: Tommy Lee Wallace

Dividida em duas partes, a minissérie acompanha o “Clube dos Perdedores” em duas épocas: primeiro, como crianças em 1960, quando descobrem e juram destruir a criatura que aterroriza Derry; e depois, como adultos em 1990, quando são chamados de volta à cidade para cumprir sua promessa após o retorno de Pennywise. Fiel ao espírito do livro, captura o tom de coming-of-age sombrio e consolidou a imagem do palhaço maligno na cultura pop.

Nota IMDb: 6.8/10

Por que assistir? Esta é a adaptação que definiu Pennywise para uma geração. A performance de Tim Curry é lendária, mesclando um carisma sinistro com uma malícia genuinamente assustadora. Uma curiosidade marcante é que Curry, muitas vezes de completo figurino, alegrava os figurantes infantis nos sets com cantorias, e muitos acreditavam que ele era um palhaço de verdade contratado para animá-los. A produção, com orçamento alto para a TV da época, foi um grande sucesso de audiência.


2. IT: Capítulo Um (2017)

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Diretor: Andy Muschietti

Recontando a primeira metade do livro, o filme foca exclusivamente na jornada das crianças durante o verão de 1989. Após o desaparecimento de seu irmão Georgie, Bill Denbrough e seus amigos socialmente marginalizados formam o “Clube dos Perdedores” e descobrem que uma entidade disfarçada de palhaço está por trás de uma onda de desaparecimentos em Derry. O filme é uma ode à amizade e ao trauma da infância, com sequências de terror extremamente eficazes.

Nota IMDb: 7.3/10

Por que assistir? Este filme revitalizou a franquia e levou o horror a um novo patamar de bilheteria, tornando-se um dos filmes de terror mais rentáveis da história. Bill Skarsgård oferece uma interpretação radicalmente diferente de Pennywise: mais animal, alienígena e visceral. Curiosamente, as próteses dentárias que usava o faziam babar involuntariamente, um detalhe que o diretor Andy Muschietti adotou para acentuar a natureza predatória do personagem. A química do elenco jovem, com destaque para Finn Wolfhard, é eletrizante.


3. IT: Capítulo Dois (2019)

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Diretor: Andy Muschietti

Vinte e sete anos depois dos eventos do primeiro filme, os membros do Clube dos Perdedores, agora adultos e vivendo vidas distantes, são convocados de volta a Derry por Mike Hanlon. Pennywise despertou novamente, e a promessa de infância precisa ser cumprida. O filme alterna entre a caçada atual dos adultos e flashbacks do verão de 1989, explorando como os traumas do passado os moldaram.

Nota IMDb: 6.5/10

Por que assistir? É a conclusão épica da visão de Muschietti para a história. O elenco adulto, liderado por James McAvoy (Bill), Jessica Chastain (Beverly) e Bill Hader (Richie), traz profundidade emocional ao confronto final. O filme expande a mitologia da Coisa, introduzindo o “Ritual de Chüd” em sua tentativa de derrotá-la. É um estudo sobre a memória, o perdão e o preço de superar o medo.


4. IT: Bem-Vindos a Derry (Série – 2025)

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Desenvolvido por: Andy Muschietti, Barbara Muschietti e Jason Fuchs

Servindo como uma prequência direta dos filmes de 2017 e 2019, Bem-Vindos a Derry se passa no ano de 1962. A trama explora os eventos sombrios que moldaram a cidade – como o Massacre do Black Spot – e aprofunda as origens de Pennywise, mostrando como o terror se enraizou na comunidade muito antes do Clube dos Perdedores existir. A série promete conectar pontos da mitologia e expandir o universo de Derry.

Nota IMDb: 7.8/10

Por que assistir? Esta é a grande expansão do universo. Bill Skarsgård reprisa seu papel icônico como Pennywise, agora mostrado em uma era anterior. A série não só aprofunda o passado da criatura, mas também explora temas sociais fortes da época, como o racismo, conectando o mal sobrenatural ao mal real. É uma janela para entender o ciclo de violência que alimenta a Coisa.


Conexões e Canone: Um Quebra-Cabeça de Derry

Uma pergunta frequente entre os fãs é: todas essas adaptações se conectam? A resposta é em partes. Os dois filmes de Andy Muschietti (Capítulo Um e Dois) formam uma duologia coesa e canônica dentro de seu próprio universo. A série Bem-Vindos a Derry é uma prequência direta e canônica deste mesmo universo, criando uma trilogia midiática expandida. Mas a Ordem Cronológica fica a critério de quem está assistindo. Se quiser assistir por data da história, o correto é começar pela série que se passa em 1962. Mas, a obra da HBO deixa claro que Pennywise navega pelo tempo, podendo também ser assistido em ordem de lançamento.

Já a minissérie de 1990 é uma adaptação autônoma. Ela conta a história completa do livro em seu próprio ritmo e estilo, com suas próprias regras e interpretações (a famosa cena final da aranha é bem diferente, por exemplo). Não há conexão narrativa direta entre o universo de Tim Curry e o de Bill Skarsgård. Pense nelas como contos paralelos sobre a mesma lenda, cada um refletindo os medos e a linguagem cinematográfica de sua época.


O Medo que Nunca Envelhece

De Tim Curry a Bill Skarsgård, das limitações da TV aos blockbusters de cinema, a jornada de IT pelo audiovisual é um testemunho do poder duradouro da criação de Stephen King. Pennywise transcende a tela para se tornar um arquétipo do horror, uma figura que conversa com nosso medo atávico do desconhecido e do grotesco escondido sob uma máscara de alegria. Cada adaptação, à sua maneira, captura uma faceta diferente desse diamante sombrio: a minissérie captura a nostalgia e o terror psicológico, os filmes modernos amplificam o horror visceral e a amizade, e a nova série se propõe a cavar as raízes mais profundas do mal.

Este guia é o seu mapa para navegar pelas águas turvas de Derry. Agora, a pergunta que fica é: qual dessas faces de Pennywise marca mais profundamente a sua experiência com o terror? É a performance inigualável de Tim Curry, a reinvenção assustadora de Skarsgård, ou a promessa de explorar as origens na nova série? Conte nos comentários qual é a sua adaptação preferida e o que mais te aterroriza na história de IT!

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